quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

«Notícias do meu país...»

Como estive algum tempo sem aparecer por aqui, algumas amigas blogueiras brasileiras pediram-me "notícias do meu país". Aproveitando a deixa... aqui ficam elas.

Bem, a verdade é que as notícias por aqui não são as melhores... e porquê?

Em 1º lugar, estamos debaixo da enorme pata de uma fera medonha que responde pelo nome de Troika.
TROIKA é a palavra russa que designa um comitê de três membros. A origem do termo vem da "troika" que em russo significa um carro conduzido por três cavalos alinhados lado a lado, ou mais frequentemente, um trenó puxado por cavalos. Em política, a palavra troika designa uma aliança de três personagens do mesmo nível e poder que se reúnem em um esforço único para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão, como o triunvirato histórico de Roma.

A «nossa» troika tem estes três tentáculos:
  • Comissão Europeia
  • Banco Central Europeu (BCE) 
  • Fundo Monetário Internacional (FMI).

(medooooooooooo.......)

«É a troika que irá avaliar as contas reais de Portugal para definir as necessidades de financiamento do país.»

Pelos vistos as nossas contas reais não estavam grande coisa, porque neste últimos meses temos sido flagelados por toda a espécie de apertos de cinto, desde os mais previsíveis aos mais inimagináveis.
A população em geral e a  Administração Pública em particular tem sido brindada com presentes do tipo:
  • corte do 13º mês (subsídio de Natal)
  • corte do subsídio de férias
  • cortes nos salários e pensões de reforma;-
  • flexibilização das leis laborais e redução das indemnizações por despedimento;
  • redução dos apoios sociais, nomeadamente do subsídio de desemprego;
  • aumento da idade da reforma;
  • aumento de preços dos transportes públicos;
  • privatização de empresas públicas como a Caixa Geral de Depósitos, TAP (transportadora aérea, RTP (radio televisão portuguesa) e CTT (correios);
  • reforma do Estado e redução da despesa através da fusão ou extinção de serviços e/ou redução do número de funcionários públicos;
Estes são apenas alguns exemplos, mas poderíamos continuar e continuar...

Depois, como se isto não bastasse, temos um primeiro-ministro mais troikista que a troika (as palavras não são minhas, ouvi-as por exemplo à Ana Gomes), que quer fazer o papel de menino bem comportado perante os tais cavalheiros, e vá de congeminar medidas e mais medidas que vão ainda além do exigido pelos 3 da vida airada.

As «mais populares» do PPC são:
  • a abolição de 4 feriados nacionais, porque aqui a malta anda a produzir pouco...
  • a sugestão dada aos professores de procurarem emprego noutros países, porque isto aqui o pessoal já aprendeu tudo o que tinha a aprender...
  • isto tem que andar para a frente, «custe o que custar»
  • e a recente decisão de não conceder tolerância de ponto na 3ª feira de carnaval
(já imaginaram esta medida no Brasil? eheheh)


E agora, para finalizar, deixo aqui esta «Trova do vento que passa» (1963), uma canção que marcou uma época que pensávamos que já esta enterrada, mas afinal está a recuperar uma certa actualidade... e isso não é nada bom, quase que posso garantir.

Letra de Manuel Alegre, a versão mais conhecida é  cantada por Adriano Correia de Oliveira.

    Aqui na versão «Fado de Coimbra» 



E pronto, ele que me chame piegas, se quiser.


E agora vou ali ver se encontro notícias boas, e já venho... ;)

Fontes:
Wikipédia
http://politicaportugal.com/
youtube

5 comentários:

Ivani disse...

Oi Claudia, fazem muitos anos passamos por apertos iguais, pois devíamos demais para o FMI e eles impuseram muitos apertos de cinto, taxaram as nossas despesas de maneira brutal e fizeram da vida dos aposentados um inferno.
Foram anos dificeis mas conseguimos sobreviver. Pena dos nossos velhos aposentados, que na época ficaram em uma situação bastante complicada. Meu pai ainda vivia e me lembro que reclamava demais da inflação e que o dinheiro já não dava para nada.
São mesmo tempos duros que voces enfrentarão.
Mas é preciso, e tomara dê resultado.
O povo português é forte e guerreiro, e tenho certeza conseguirá sair-se dessa enrascada toda.
Quanto ao carnaval...que sujeira em?
Por aqui se baixam um decreto desses ninguém vai ao trabalho, pode acreditar.
O brasileiro é viciado em carnaval (eu não) a maioria deles brinca os 4 dias.
Espero que tudo acabe bem em seu país, porque o que aflige voces nos aflige também, somos irmãos.
beijos, boa tarde.

Heloísa disse...

Cláudia,
Dá uma tristeza muito grande saber, e acompanhar, todas as dificuldades que vocês estão passando.
Espero que vocês consigam ser comandados por dirigentes sérios e competentes, e que todos esses infortúnios logo terminem.
Beijos.

Beth/Lilás disse...

Cláudia,
Faço as palavras da Ivani as minhas também, pois foi assim mesmo que passamos a algum tempo atrás. Não foi mole tanta inflação a cada dia, dormíamos pensando na desvalorização do dinheiro no dia seguinte e teve um tempo em que tínhamos fila pra tudo, parecia até Cuba. hehehe
Mas, tudo tem seu tempo e acaba uma hora. Penso que o povo português é inteligente o suficiente para não deixar o país antigo e maravilhoso ir à bancarrota, por isto desejo força e fé aos nossos queridos irmãos portugueses.
um super abraço, carioca

Lúcia Soares disse...

Cláudia, já nos vimos nessa situação caótica em que estão agora, e meu desejo é que passe logo, que se ergam mais rápido do que nós conseguimos. Foram anos de luta, muita roubalheira do governo, via-se que era mais má vontade do que tudo o mais, para conseguirem êxito.
Se conseguimos aqui, hão de conseguir aí. Depende muito dos cidadãos, é preciso ir à luta, mas sem brigas, sem guerras.
Beijo!

Blog da Rutha disse...

É muito triste saber que a terra dos meus antepassados passa por essas dificuldades. Também já tivemos anos difíceis por aqui que felizmente passaram e agora temos muito trabalho, mas sempre acho que o mais importante e o mais esquecido é a Educação das crianças e jovens do país. Meu marido trabalha em indústria de metais e jamais teve folga no carnaval, sempre trabalhou todos os dias sem reclamar.
Vamos torcer para que as coisas melhores no mundo inteiro.
Beijos
Laís