quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Saudades do doce Amarelo



Já passou um ano desde que o céu dos gatinhos ficou mais iluminado.


Continuas bem presente nas nossas lembranças, para sempre nos nossos corações, doce amiguinho.


Temos muitas saudades de ti.
 

 
 
 
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mutilação



Não consigo entender esta fúria que tomou conta de quem manda na manutenção dos espaços verdes na cidade onde moro (Alverca).

Eles chamam-lhe poda, desmatação ou, pior ainda, limpeza! Eu chamo-lhe mutilação.



Alguém me pode explicar o porquê de se deixar as árvores e arbustos completamente "depenados"??


 
Até há uns anos atrás, Alverca era conhecida por "cidade verde", esse slogan até era apregoado em cartazes espalhados pela cidade. E na verdade a cidade (ainda) tem muitos espaços verdes, mas por este andar, parece-me que as coisas vão mudar em breve. Só gostava de saber a razão desta fúria destruidora. Sim, porque muitas destas árvores e arbustos ficam definitivamente arruinados com este "tratamento".
 
 
 





Estes arbustos, que dão (ou davam...) flores cor de rosa, ficaram reduzidos a uns troncos secos. E isto num local amplo, onde não estorvavam nada, bem pelo contrário, deixavam esta encosta mais bonita e colorida.


Agora pergunto: porque é que deixaram aqueles troncos secos ali no meio? Será que pensam que "aquilo" ainda vai ressuscitar, depois da maneira como foi cortada?


Por toda a cidade, é este o cenário:  arbustos decepados, reduzidos a uns tristes troncos com meia dúzia de folhas.


Isto foi o que restou de um outro arbusto que cresce muito e dá flores muito bonitas, mas que está constantemente a ser cortado rente, porque pelos vistos é considerado daninho. Em muitos sítios vejo estes arbustos enormes e cheios de flores coloridas, aqui em Alverca não têm hipóteses, são totalmente dizimados, como se fossem porventura uma planta carnívora!
Numa época que até é caracterizada por um aumentar das preocupações com a preservação da Natureza, não consigo entender porque é que por aqui se circula em contra-mão.

 
 
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Mimi e a CVNI*


Tudo por causa de um insecto!

Já tinha andado aos saltos atrás dele, já lhe tinha perdido o rasto, e quando se preparava para descansar, eis que ele surge de novo... à direita, à esquerda, mas será que ele está em todo o lado?

* criatura voadora não identificada

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Gatos



 O Tigre e a Mimi


A nova estrela da companhia

Atrevido

Gosta de estudar, mas cansa-se das matérias com facilidade


Gosta de campismo

Enquanto isso, a artista veterana rebola-se


mas sempre desconfiada...


A relação entre ambos ainda é um bocado "de costas voltadas"

Ou em territórios separados...



Pode ser que, com a chegada do frio, ainda decidam domir uma sestinha juntos, quem sabe...




 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Azenha de Santa Cruz



Um passeio de Verão à praia de Santa Cruz e a agradável surpresa da descoberta da Azenha, onde podemos acompanhar todo o ciclo do pão, desde que a semente é deitada à terra até o pão sair do forno (mesmo que fictício...)


Toda a parte relacionada com a sementeira, crescimento do trigo, até à colheita do cereal, está retratada em painéis. A parte da moagem e fabrico do pão pode ver-se reproduzida em detalhe, conforme fotos abaixo.

«A Azenha de Santa Cruz, que alberga atualmente o Posto de Turismo, é um ponto de paragem obrigatório. Edificado nos finais do séc. XV e classificado de edifício de interesse público em 1997 pelo IPPAR, a Azenha é, hoje, um Centro Interpretativo ligado à temática da moagem do cereal e do fabrico do pão onde reúne um conjunto de painéis expositivos, espólio relacionado e projecção de filmes e fotografias de outros tempos. Um projecto cultural que promove as tradições e a divulgação da memória e da cultura populares



«No Centro Interpretativo da Azenha de Santa Cruz pode observar-se um destes engenhos, totalmente recuperado e a funcionar, embora de um modo artificial. No entanto todo o processo pode ser apreciado, desde a queda de água, através da caleira nos copos da roda, fazendo-a girar e colocando todo o mecanismo, no seu interior, em funcionamento.»



«Um espaço moderno e adaptado aos nossos tempos mas com toda a tradição preservada e valorizada, onde em diversas salas encontra história, vivências e objectos antes utilizados pelas gentes que viveram o seu presente neste edifício histórico de Santa Cruz.»

(fonte: site da Câmara Municipal de Torres Vedras)




Muito interessante!



sábado, 23 de junho de 2012

3 anos em resumo


Fala a Mimi:


Faz hoje três anos que cheguei a esta casa. Foi um dia muito importante para a minha dona. Fartou-se de viajar para me trazer (mal sabia a chatinha que eu era... ihihih)
Viajou com a minha tia Isabel de Lisboa para Leiria, para casa das minhas madrinhas Cenourita e Titó. Mas depois ainda foram passear antes de me trazer para aqui. Ainda foram ao Porto, conhecer outras amigalhaças blogueiras, a Noémia, a Ameixa e a Conceição. Comeram francesinhas e fartaram-se de galhofar, foi um dia em cheio! Depois lá se lembraram que eu e o meu irmão estávamos à espera, e lá voltaram para Leiria, para finalmente nos trazerem para a nossa casa nova. Mais pormenores clicando aqui.

Aqui sou eu poucos dias depois de ter chegado, não era a coisinha mais fofa? :) 



Aqui em abracinhos com o meu querido irmãozinho Amarelo, que já foi até ao céu dos gatinhos. :(


Éramos muito amigos, mas claro que também tivemos as nossas brigas...



Sempre tive muitas festinhas...


E, para dizer a verdade, a minha dona mais novinha tinha um fraquinho especial por mim (mas não digam a ninguém!) ;)
Não estamos tão fofas? Que colinho tão confortável!




Mas tenho uma grande novidade: há uma semana que tenho um novo amigo: um gatão lindo e charmoso, que se chama Tigre Simba.


Nos primeiros dias não achei graça nenhuma à "novidade", fartei-me de lhe fazer fuuus e cara feia! O que é isto, um gatão a invadir o meu espaço??



 mas agora já nos estamos a começar a entender... acho que ainda vamos ser grandes amigos!

Mas, por enquanto, ainda não lhe dou muita confiança, ainda estou à coca, a ver o que isto dá...



E pronto, vim parar a esta casa de gente meio desmiolada, agora tenho que os aturar, mas até que não me tenho dado muito mal... ;)
e assim se passaram três anos.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Argentina


Hoje é um dia importante na história da Argentina, um país que eu adorava conhecer. Quando for ao Brasil, aproveito e dou um saltinho "ali ao lado", ou "ali abaixo". Fácil, não é? Sonhar não custa, e já dizia o poeta, "pelo sonho é que vamos"...

Faz 202 anos que a Argentina iniciou o seu processo de Independência, com a chamada Revolução de Maio. Hoje não quero ser muito exaustiva com os factos históricos, quem quiser ou precisar saber pormenores, é favor clicar nos links. :)

A bela cidade de Buenos Aires, e o incontornável Tango.
Buenos Aires


A capital, Buenos Aires, é famosa pelos seus monumentos, mas apesar de toda a riqueza histórica da Argentina, o que mais me atrai neste país é a sua geografia. Pela sua localização, abrangendo uma área enorme até ao extremo sul do continente, os contrastes geográficos são imensos e, na minha opinião, magníficos.

mapa da Argentina


Aconcágua, nos Andes, o ponto mais alto de todo o continente americano.



zona desértica -  Talampaya


Iguaçu, do lado argentino

Créditos desta foto ao site



Patagónia, muito perto da minha noção de paraíso.


Então é isso. Eu passo 2 ou 3 dias em Buenos Aires, mas depois vou para as montanhas, é mesmo para aí que eu quero ir. Aí sim, acredito que haja mesmo Bons Ares. E só vou parar quando chegar ao Cabo Horn.

Quem quer vir também? :)

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P.S. A minha net está a tentar ganhar o record de lentidão. Enquanto não consigo fazer uploads para o Pinterest, aproveito para criar aqui a etiqueta "Lugares que quero visitar"

terça-feira, 15 de maio de 2012

BCAP - Esperança - O Desejado



Chegámos à 3ª fase  da BCAP, desta vez dedicada à ESPERANÇA.



Ora, uma vez que as minhas anteriores participações nesta BC foram relacionadas com a História de Portugal, e para continuar na mesma linha, vou ter que reincidir (tentando não ser exaustiva...)  :)
Então, lançando um olhar ao passado, que episódio é que relacionei imediatamente com Esperança? D. Sebastião, O Desejado.

D. Sebastião, o jovem rei desaparecido em Alcácer Quibir e cujo regresso o povo português aguardou durante anos e anos, décadas e mesmo séculos. A Esperança no seu regresso manteve-se viva.
Se virmos bem, ainda hoje o aguardamos.
Pintura da autoria de Carlos Alberto Santos. Pode clicar para ampliar. Vale a pena, é um belo quadro.
O Desejado
Onde quer que, entre sombras e dizeres,

Jazas, remoto, sente-te sonhado,

E ergue-te do fundo de não-seres

Para teu novo fado!


Vem, Galaaz com pátria*, erguer de novo,

Mas já no auge da suprema prova,

A alma penitente do teu povo

À Eucharistia Nova.


Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,

Excalibur do Fim, em geito tal

Que sua Luz ao mundo dividido

Revele o Santo Gral!

Fernando Pessoa, Mensagem

Retrato de D. Sebastião da autoria de Cristóvão de Morais, exposto no Museu Nacional de Arte Antiga


D. Sebastião nasceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1554. 
Sucedeu a seu avô D. João III.
O seu nascimento era esperado com ansiedade,  pois a coroa corria o perigo de vir a ser herdada por outro neto de D. João III,  filho de Filipe II de Espanha.
 (E afinal Portugal viria mesmo a ser governado durante 60 anos pelos Filipes de Espanha)

Foi desejado antes de nascer, foi desejado depois de morrer.

D. Sebastião cresceu na convicção de que Deus o criara para grandes feitos.

Cheio do seu sonho de conquista, Portugal não lhe bastava.  Sendo o seu grande objectivo ir a África combater os mouros, a sua maior preocupação foi  reunir um exército de jovens temerários e exaltados como ele próprio.

Em Junho de 1578, dá-se a partida em direção a África. Chegam perto de Alcácer Quibir a 3 de Agosto e no dia 4, o exército português, ao que parece  esfomeado e exausto pela marcha e pelo calor,  foi completamente destroçado.

 D. Sebastião morreu em Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578.

Será? ?

É que o seu corpo desapareceu... Ora, esse facto foi mais do que suficiente para se dar início a um mito que havia de perdurar por muitas gerações. Durante os anos seguintes, o povo acreditava mesmo que ele havia de regressar, num dia de nevoeiro - o Encoberto.




Tinha nascido a lenda.


El-Rei D. Sebastião, José Cid/Quarteto 1111.
 (Para ver em ecrã completo tem que entrar no "youtube")


Estava criado o mito sebastianista, que tem povoado o imaginário colectivo do nosso povo ao longo dos séculos, e que tem servido de inspiração a escritores, poetas, pintores e outros artistas.


E agora perguntarão, mas o que tem isto a ver com Amor, já que estamos na BC Amor aos Pedaços?

E a minha resposta é: é um grande amor ou não é,  o de um povo por este Rei que, desaparecido há mais de quatro séculos, ainda continua a ser desejado? :)

Ao longo dos séculos, através de sucessivas crises, vendo-se o povo em situações difíceis, logo vem à baila D. Sebastião. Obviamente, já não ele próprio, mas o que a sua figura passou a simbolizar: o Salvador, aquele que há-de chegar, saído das brumas, para nos salvar da desgraça e nos reconduzir à grandeza perdida.
E eis-nos, em 2012, no meio de mais uma crise, nas mãos da "troika", vivendo do dinheiro emprestado pelo FMI e pelo BCE (emprestaram-nos umas costeletas mas querem um porco inteiro em troca...) e mais uma vez à espera do desejado, sempre na esperança de que alguém nos salve...

Quem será o  salvador deste povo?

Seremos nós próprios?


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* explicação relativa ao poema:
"Galaaz com pátria" - O Desejado, D.Sebastião que é equiparado a Sir Galahad, o cavaleiro virgem do Ciclo da Távola Redonda a quem foi dado conhecer o Santo Graal. A origem de Galahad era desconhecida (não tinha pátria) embora na verdade fosse filho de Sir Lancelot.
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Nota: Gostava de dedicar o vídeo acima à querida Ivani, do blog Samambaia, porque sei que ela vai gostar de ver essas belas imagens de Portugal, que ela tem no coração. :)

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Créditos: 

Agradecimentos:
 às organizadoras do evento:

RUTE, do blog Publicar para Partilhar

ROSÉLIA, do blog Espiritual-idade

e LUMA ROSA, do blog Luz de Luma, yes party! 



sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Despertar do Irão - parte III

 

Bem, como já devem ter percebido, a minha vontade era transcrever para aqui o livro inteiro... ;)

como isso não é possível, tento salientar os pontos que me parecem mais relevantes, o que para mim chega a ser difícil, porque realmente o livro é todo ele muito interessante, recomendo-o sem hesitações. Depois do foco (nos posts anteriores) nos direitos das mulheres e das crianças, ou antes, na falta deles, agora, para terminar, o foco vai para um homem que tentou mudar o Irão, mas foi impedido.


Uma das coisas que aprendi com este livro (O despertar do Irão, Shirin Ebadi) foi que este país esteve à beira de se tornar bem diferente daquilo que continua afinal a ser hoje.  Na história recente do Irão já houve uma primavera, só que outros valores e interesses mais obscuros conseguiram levar a melhor.
É aqui que surge o nome de Mohammad Mossadegh, para mim um perfeito desconhecido até à leitura deste livro.
Claro que já tinha ouvido falar do Ayatollah Khomeini

assim como do Xá Reza Pahlavi

(que sempre ouvi pronunciar "palévi")

mas o nome de Mossadegh, um homem que foi tão importante para o Irão (e que poderia ter sido muito mais, se o tivessem deixado) era para mim desconhecido.

É por isso que vou ter que recuar  até 1951, ano em que Mossadegh, que desejava um Irão independente, livre e democrático,  foi nomeado primeiro-ministro.
Infelizmente para os iranianos esclarecidos e em especial para as iranianas, o seu tempo nesse cargo durou muito pouco tempo.
A 19 de Agosto de 1953, «uma voz trémula anunciava no rádio a pilhas que, após quatro dias de tumultos em Teerão, o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh tinha sido derrubado num golpe de estado.»
Mohammad Mossadegh
E porquê?
«Os apoiantes do xá (imperador) que invadiram a estação nacional de rádio anunciaram que, com a queda de Mossadegh, o povo iraniano havia triunfado. (...) poucas pessoas partilhavam verdadeiramente deste sentimento. Para os iranianos laicos e para os religiosos, como para a classe trabalhadora e para a mais abastada, Mossadegh era muito mais do que um popular chefe de estado. Era um estimado herói nacional, uma figura digna de fervorosa veneração, um líder pronto para conduzir a sua grandiosa civilização com mais de 2500 anos de história.
Dois anos antes, em 1951, o primeiro-ministro tinha procedido à nacionalização da indústria petrolífera iraniana, até aí na realidade controlada por consórcios de petróleo do Ocidente, que extraíam e exportavam o petróleo iraniano em grandes quantidades e sob acordos que apenas atribuíam ao Irão uma ínfima parte dos lucros. Esta jogada audaciosa (...) garantiu a Mossadegh a adoração eterna dos iranianos, que o consideravam a figura de fundo da independência do Irão (...).
Perante a expansão do apoio popular ao primeiro-ministro, o xá teve de confrontar-se com a sua própria vulnerabilidade de monarca sem popularidade e apoiado apenas pelos seus generais, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. As duas potências ocidentais estavam irritadas com o facto de Mossadegh ter nacionalizado a indústria petrolífera do Irão, mas esperavam o momento certo para ripostar. Em 1953, concluíram que estavam reunidas as condições para o derrubarem.
Kermit Roosevelt (neto de Theodore Roosevelt), chegou a Teerão para tranquilizar o assustadiço xá e para liderar o golpe de estado. (...)
No espaço de quatro dias, o adorado primeiro-ministro, agora derrotado, estava escondido numa cave, enquanto que o corrupto jovem xá era de novo investido de poder, agradecendo a Kermit Roosevelt numa frase que ficou célebre:
"Devo o meu trono a Deus, ao meu povo, ao meu exército, e a si."
Foi um momento profundamente humilhante para os iranianos, que assistiram à intervenção dos Estados Unidos na sua política interna, como se o seu país fosse uma espécie de fim de mundo que lhes pertencesse, sendo o seu líder escolhido ou deposto de acordo com os caprichos do presidente americano e dos conselheiros da CIA. »
Mossadegh sendo preso.
Mossadegh viria a ser acusado de traição (!). Segundo as suas próprias palavras, o seu maior pecado foi ter nacionalizado a indústria petrolífera iraniana. Foi esse "pecado" que nunca lhe perdoaram. Assim como ter querido acabar com o "sistema de exploração política e económica por parte do maior império mundial".

Durante o julgamento. Pelo ar fragilizado de Mossadegh e pelo ar dos que estão em pé, imagino o tipo de julgamento...
Toda a situação do Irão é muito complexa, e realmente, ao tomarmos conhecimento do que lá se passa, é fácil para nós criticarmos aquelas mentalidades. Mas o problema vai muito para além disso. Eles também têm que lutar contra a ingerência externa, com os grandes interesses internacionais. Hoje está provado que este golpe de estado que derrubou Mossadegh teve por trás grandes interesses económicos e políticos. Entre os responsáveis, além dos apoiantes do Xá, podemos também incluir a CIA e até a petrolífera BP... 
O que acho mais triste no meio de tudo isto é que um dos raros homens que teve a coragem de tentar mudar o Irão, acabou por ser condenado por traição, tendo passado 3 anos em prisão solitária, seguindo-se a prisão domiciliária até ao final da sua vida!!

Mossadegh morreu aos 85 anos, na sua terra natal, Ahmad Abad.
Para finalizar, uma nota que não sei se é trágica ou cómica: o juiz que o condenou chegou a anunciar a sentença de morte, mas foi dizendo que, como forma de tributo à superior misericórdia do Xá, iria reduzir a pena para três anos de prisão. Com um sistema político e judiciário corrompido a este nível, os iranianos ainda têm um longo caminho de luta pela frente.

"Estou consciente de que o meu destino servirá de exemplo no futuro, enquanto o Médio Oriente estiver a quebrar as correntes de escravatura e servidão aos interesses colonialistas." Mohammad Mossadegh

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Para quem gosta de aprofundar os temas (haverá mais "loucos" como eu??)deixo as sugestões:


Biografia de Mossadegh, em Inglês


quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Despertar do Irão - parte II

O Despertar do Irão, Shirin Ebadi

Já todos sabemos que não é nada fácil ser mulher no Irão, que não é nada fácil ser criança, mas também não deve ser nada fácil ter filhAs e ver serem-lhes incutidos diariamente toda a espécie de valores, no mínimo, questionáveis. Não só deve ser difícil, como bastante duro.


«As minhas filhas estavam a crescer, ao ponto de, todos os dias, chegarem da escola com uma torrente de perguntas. Pum. Atiravam as mochilas para o chão no hall de entrada. Pum pum. Corriam pelo corredor fora, com os dedos pegajosos por causa de um petisco qualquer no caminho para casa. Viver na República Islâmica como mulher estava a tornar-se cada vez mais ardiloso, da mesma maneira que viver a maternidade da República Islâmica.

Mamã, é verdade que é errado eu aparecer à frente dos meus primos sem o véu? Mamã, é verdade que a América é a fonte de tudo o que é perigoso no mundo? Mamã, é verdade que Mossadegh* era um homem mau?

Tentar ensinar às minhas filhas valores progressistas e a vacuidade que estava detrás dos dogmas revolucionários que lhes eram ensinados na escola, ao mesmo tempo que me certificava de que elas aprendiam e, de qualquer modo, obedeciam superficialmente a todos os dogmas para que pudessem progredir no sistema educativo - tudo isto era um esforço de equilíbrio bastante precário. »

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*Mohammad Mossadegh foi primeiro-ministro no Irão, e lutou para que o país caminhasse no caminho da democracia e da tolerância. Desgraçadamente (embora previsivelmente) foi vítima de um golpe de estado. Mas isso fica para a "parte III". :)



Sempre firme! :)

Um dos campos em que Shirin Ebadi desempenhou um papel importantíssimo foi na defesa dos direitos das crianças. Segue um excerto que penso ser bem elucidativo de certos absurdos praticados no Irão, como o facto de as crianças, passada a 1ª infância, em caso de separação dos pais, serem sempre entregues ao pai, sejam quais forem as circunstâncias...

«Numa manhã do Verão de 1997, enquanto folheava um jornal no meu escritório, deparei-me com a história de uma criança espancada que, após ter sido sujeita a repetidas pancadas na cabeça, morrera num hospital local. A fotografia que acompanhava a notícia mostrava uma pequena menina curvada cujos magros membros estavam cobertos de queimaduras de cigarro. Era de tal maneira pesaroso olhar para aquela fotografia, que virei rapidamente a página e continuei a ler. A menina chamava-se Arian Golshani. Depois do divórcio dos pais, o tribunal atribuiu a guarda de Arian ao pai, um homem violento e com cadastro por fraude e dependência de estupefacientes. Segundo os vizinhos, o pai mantinha Arian encarcerada. A menina de nove anos pesava apenas cerca de dezasseis quilos, os braços tinham-lhe sido partidos várias vezes e engessados com moldes improvisados e, quando a professora chamou o pai para o questionar acerca das marcas de queimaduras de cigarro que ela tinha por todo o corpo, ela foi mantida em casa, longe da escola, durante meses. A mãe de Arian foi a tribunal e pediu a sua custódia – explicou as condições em que se encontrava a sua filha, explicou que o seu ex-marido era culpado de maus-tratos horrendos. Impassível, o tribunal recusou conceder-lhe a custódia. » (...)

Na sequência desde caso, a autora levou a cabo campanhas de divulgação e acções de protesto, com o intuito de que casos como este não se voltassem a repetir. Neste país, é "malhar em ferro frio", mas também "água mole em pedra dura"... ficar parados é que eles não podem.
«A Revolução Islâmica consagrara a família muçulmana como a peça fundamental da ideologia daquilo que deveria ser uma nação. Os revolucionários dirigiam a sua atenção para a mãe muçulmana, domesticada, confinada ao lar e preocupada com a sua prole em crescimento, logo, a chave para o restabelecimento dos valores tradicionais e autênticos. Contudo, não lhes parecia então de todo contraditório promulgar uma legislação para a família que, na eventualidade de divórcio, automaticamente arrancava as crianças das suas mães, ou que tornava a poligamia tão conveniente quanto uma espécie de garantia de recurso. A questão da guarda de crianças tinha tido um peso considerável ao longo dos anos na minha cabeça, já que a minha irmã mais velha mantivera durante muito tempo o seu casamento falhado por causa do medo de perder os filhos. Era uma questão que se enquadrava entre as leis e artigos mais destrutivos do sistema jurídico e o protesto público contra a lei da guarda de crianças aumentava de intensidade a cada ano que passava. » (…)


Interessante: Autobiografia de Shirin Ebadi, (em inglês) no site oficial do Prémio Nobel