terça-feira, 10 de junho de 2008

Portugal

10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Apesar da minha desilusão com este Portugal em que vivemos actualmente, quero aproveitar este dia para homenagear dois grandes poetas portugueses.

Aquele que é considerado por muitos o maior, e que, justamente, tem o seu nome associado ao de Portugal - Luís de Camões -, que como ninguém soube engrandecer este povo, através de "Os Lusíadas" - obra tão grandiosa que me abstenho de tentar encontrar mais adjectivos. A obra fala por si. É pena que tão poucos portugueses a tenham lido...

Canto Primeiro
1
As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana
E em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
2 (...)
3
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
(...)

E, como não podia deixar de ser, Fernando Pessoa e a Mensagem

Brasão
O dos Castelos

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Mar Português
O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

O Encoberto
Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Quanta actualidade, 74 anos depois...

Para finalizar, quero mandar um abraço aos meus familiares espalhados pelo mundo, mais concretamente no Luxemburgo, na Holanda e no Brasil.

6 comentários:

Nana disse...

Claudinha,
estudei um pouco de literatura portuguesa...
Amiga, não se preocupa, não é só ai, aqui tb é o caos!
Tem hora que penso num lugar longe com mato e animais para viver.
bjs

claudia disse...

Sim, apesar de estarmos no "funso", merecemos uma homenagem!

ameixa seca disse...

Nenhum resume melhor o estado deste país, como o último poema. Pelos vistos a insatisfação de se ser Português acompanha a passagem do tempo. Portugal é um nevoeiro constante e hoje, aqui, choveu e trovejou... Se calhar era Camões e Pessoa a avisar que o nevoeiro continuará. Aii, precisamos de ajuda dos Deuses no Olimpo, novamente :)

Cláudia M. disse...

Nana, fico feliz que conheça alguma literatura portuguesa.
E olha, é isso mesmo, é o que me dá vontade também, fugir desta selva urbana, os animais por vezes são bem melhor companhia! BJS

Cláudia, penso que querias dizer "fundo", mas acho que tens razão. Desculpa estar a tratar por tu, a mim dá-me + jeito, mas se não gostares, é só dizer... BJS

Querida Ameixa, tb achei que esse poema se adaptava na perfeição ao que vivemos agora. Nunca mais nos livramos do malvado nevoeiro, e o D. Sebastião não há meio de aparecer... Isto agora só mesmo com ajuda divina! BJS

Isabel disse...

Amei o desenho da Carol. Ela é a coisa mais fofa do mundo e felizmente é minha sobrinha. Eu tenho muita sorte.

Cláudia M. disse...

Pois é, maninha, também achei muita graça à ideia dela. É uma querida, sai à tia...