quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Os Portugueses (vistos do estrangeiro...)

Durante as últimas férias, li o Rio das Flores, do Miguel Sousa Tavares. Que sítio melhor do que o Alentejo para ler um livro com 608 páginas?

Acontece que resolvi não falar nele na Academia, porque estou "zangada" com o autor (aliás, ele está raladíssimo com isso, como se pode imaginar...). Claro que devemos separar o autor da obra, mas pronto, não me apeteceu. Pode ser que ainda mude de ideias. Até porque gostei do livro.

Entretanto, não resisto a transcrever uns excertos sobre a opinião dos ingleses (e dos romanos) sobre o nosso povo.

Isto vem na sequência de uma das personagens - Diogo - pensar que os "velhos aliados ingleses" iriam de alguma maneira opôr-se ou tentar combater a ditadura implantada em Portugal em 1926. Estava enganado!

Acima de tudo, os amigos ingleses manifestavam um profundo desprezo por Portugal e pelos portugueses, esse povo sobre o qual, segundo rezava a lenda, já os romanos, dois mil anos antes, haviam estabelecido que "não se governam nem se deixam governar".
(...)

Segundo o embaixador inglês em Lisboa, Sir Charles Barclay, escrevendo ao Foreign Office em 1929, «a nação portuguesa, em parte devido à grande mistura de sangue negro, e em parte devido ao enervante clima*, é física e mentalmente degenerada... incapaz de um esforço regular ou de um raciocínio lógico». (...) «se a exterminação sem dor de uns milhares de habitantes de Lisboa fosse possível, o resultado seria provavelmente bem mais auspicioso».
(* imaginem, um inglês a achar o nosso clima enervante! Que lata!)

Caramba, o homem não era nada radical... vá lá, seria sem dor... que gentil!

Como se isto não bastasse, outro ilustre inglês, R. A. Gallop, (...) pela mesma altura, publicou num opúsculo intitulado Notas sobre o Carácter Português (...) as seguintes opiniões sobre os naturais desta nação valente: um povo que, além do hábito generalizado de cuspir na rua e «satisfazer em público as necessidades vitais mais vis», era tolerante «com a porcaria, a distinção racial, a deformidade e doença dos mendigos», embora fossem «excepcionalmente amigos das crianças e, para um povo do Sul, dos animais». Tolerantes com os negros e com os animais: degenerescência e virtude, ao mesmo tempo.

Como se pode ver, estamos (estávamos?) muito bem vistos pelos ilustres ingleses! Acho que ainda estamos um bocadinho... e às vezes com razão, infelizmente.

Mas há uma coisa com a qual concordo: infelizmente, ainda se mantém esse hábito nojento de cuspir na rua a torto e a direito! acho que se devia pagar multa (e das pesadas) por esse acto disgusting!! Que porcalhões! Aliás, já tenho chamado porco (geralmente são os homens, não é?) quando vejo fazer isso. Um dia destes apareço com um olho negro...

3 comentários:

Isabel disse...

É verdade, os ingleses ainda hoje sentem desprezo por Portugal e infelizmente nalgumas coisas têm razão. Eu própria sinto vergonha quando vejo porcalhões a escarrar para o chão. Mas será que nunca se conseguirá erradicar este acto nojento?

ameixa seca disse...

Admito aqui que não gosto do Miguel. Não sei se gosto dos livros porque ainda não os li... mas não gosto do Miguel.
Infelizmente tenho que concordar com algumas coisas que os Ingleses dizem. Mas, mistura de sangue negro? Eu sou super branquela :) E nós não temos smog ok? Eu estive em terras de Sua Magestade e o clima não é enervante, é atrofiante ;)
Concordo que os homens portugueses continuam a achar que ser macho latino é o que está a dar... cuspir no chão, coçar os ditos cujos em público, enfiar a unhaca no ouvido para retirar o excesso de produção de cera, e etc.
Acho que os desendentes de dinamarqueses também não apreciam muito os portugueses ;)

Cláudia M. disse...

Pois é, o MST é tão convencido, tão arrogante, tão... enfim... e depois do que ele disse sobre os professores, não me merece respeito nenhum. Mas li o Equador, e gostei mto, e tb gostei deste, apesar das doses maciças de História.
Qto aos hábitos de alguns "tugas", é mesmo uma vergonha, é o que faz com que por vezes sejamos 3º mundo, pelo menos em comportamento.
Ameixa, essa da unhaca no ouvido fez-me rir a sério!
Bjs