sábado, 15 de outubro de 2011

Recomeço - BCFV

  E assim se fecha um ciclo... 

É o fim, ou é um recomeço? 



Perante um tema tão controverso, recorri à introdução feita pelas meninas organizadoras desta B.C. (Rute, Gina e Rosélia):
« O que esperar após a Morte? O vazio, o nada, o descanso eterno? Julgamento, punição pelos pecados cometidos ou glória, prémio pelas boas acções? Deus e o Diabo existem, Paraíso e Purgatório? Há quem diga que quer no Céu, quer no Inferno, café expresso haverá sempre! Ficamos torcendo para que George Clooney também!
Por falar nisso, esperam encontrar almas familiares, amadas, conhecidas? Esperam que lhes seja dada nova oportunidade de voltar a este plano, de corrigir, aperfeiçoar?
Onde atingir a plenitude, cá ou lá, para além do que os nossos 5 sentidos permitem assimilar?
Podemos dizer que é reconfortante crer na vida além da morte. Tranquiliza-nos crer que não é o fim do caminho, traz sentido ao absurdo que é sofrer e lutar sem nenhum propósito.
Mito? Realidade? Mentira? Verdade?  »

Gostava muito de ter respostas para tantas perguntas, mas não creio que alguém as tenha. Pode haver crenças, suposições, mas certezas não. Claro que quem acredita acha que tem as respostas, mas eu sou (ou tornei-me) muito céptica. As dúvidas são mais que muitas, os questionamentos são constantes. Em princípio acredito em outras vidas, mas não é uma crença totalmente firme, muitas vezes dou por mim a pôr isso (como muitas outras coisas) em causa. 

Pegando no texto acima, concordo que é extremamente reconfortante pensar
que a vida "não é só isto",
que não faz sentido tanto esforço para tão pouco tempo,
que aqui estamos a sofrer, neste "vale de lágrimas", e depois é que vamos para o céu... e por aí fora...  (Peço desculpa a quem tem convicções religiosas mais firmes do que as minhas, isto não é uma crítica a quem acredita, longe de mim, quem me dera ser mais crente, até porque essa crença  apazigua a alma.)
Mas... essa é uma ideia que pode ser perniciosa, porque pode tornar-se um sedativo para a realidade: "agora está tudo a correr mal, mas na próxima vida será diferente". Eu própria digo muitas vezes, se bem que em tom de brincadeira, «na próxima encarnação não vou querer isto ou aquilo, na próxima encarnação vou fazer isto e aquilo de maneira totalmente diferente».  Confesso que a ideia é sedutora, principalmente para quem, como eu, tem tantos "arrependimentos". Que consolo pensar «para a próxima vou fazer tudo bem!» Mas isto é como um daqueles medicamentos que nos impedem de sentir a dor, mas não eliminam a causa da doença...  

Como não me ocorrem as palavras certas, deixo aqui este poema que me parece ser  um bom contributo para esta reflexão. 


Vida Sempre 

Entre a vida e a morte há apenas
o simples fenómeno
de uma subtil transformação. A morte
não é morte da vida.
A morte não é inação, inutilidade.
A morte é apenas a face obscura,
mínima, em gestação
de uma viagem que não cessa de ser. Aventura
prolongada
desde o porão do tempo. Projectando-se
nas naves inconcebíveis do futuro.

A morte não é morte da vida: apenas
novas formas de vida. Nova
utilidade. Outro papel a desempenhar
no palco velocíssimo do mundo. Novo ser-se (comércio
do pó) e não se pertencer.
Nova claridade, respiração, naufrágio
na máquina incomparável do universo.

Casimiro de Brito, in "Solidão Imperfeita"


E, como não podia deixar de ser, o meu poeta preferido:

 PROMESSA 

Não desanimes por me veres ao lado
Triste como um ribeiro que secou.
Isto passa, 
Podes ter a certeza. 
Basta o degelo começar... 
O poeta é uma graça
da natureza:
Há-de sempre cantar.
Arranja pois as jarras da alegria,
E vai sorrindo já dos meus desleixos...
Eu volto a rolar seixos
Qualquer dia. 

 MIGUEL TORGA, Díário V

 Renovação de estados de espírito, renovação da Vida... 


Renovo também os meus agradecimentos às 3 RRR,

foi uma experiência muito enriquecedora! Obrigada, meninas. 



 ***
Para concluir,  devo dizer que se o café expresso está garantido, estou muitíssimo mais descansada. Até prescindo do Clooney, contento-me com o café.  :))

12 comentários:

Gina disse...

Cláudia,
Como li todas os seus textos, devo dizer que senti seu esforço, seu empenho em colocar para fora coisas que estavam guardadas.
Essa é a mais etérea das fases... A mais difícil de ser compreendida, mas crer em algo a mais realmente traz consolo.
Brinca-se muito com essa questão de "na próxima encarnação..." também por aqui. Pode ser uma intuição de que outras oportunidades nos serão dadas.
O fato é que deveríamos tentar viver como se a vida fosse única.
Creio, como Casimiro, que a morte não é uma inação, uma inutilidade, mas respeito os pontos de vista de cada um.
Fico muito grata por todas as fases que resolveu participar!
P.S.: Um cafezinho vem em boa hora sempre. Mas não "chute o balde", vai que aparece um Clooney na sua vida que a faça dispensar o cafezinho...rs!
Bom final de semana.

Rachel disse...

Concordo com você Claudia, esse foi o tema mais díficil de abordar.
Digo pela controvérsia de opiniões e
crença.
Mas acreditando que a vida é contínua, fica mais fácil de se viver...rs!
Bjuss!!!

Alfa & Ômega disse...

Olá, Claudia, também estou na coletiva das meninas e vim aqui nesse seu espaço para conhecer o seu pensamento. Gostei do que li e também, às vezes me pego a dizer em brincadeira, que na outra encarnação...Mas o que nos move nesta vida, o que nos sustém é a fé. Eu creio firmemmente na ressurreição dos mortos e na vida eterna! Lindo domingo e feliz semana!

Denise disse...

Esse poema de Casimiro de Brito diz muito. É começar, recomeçar, continuar, refazer, fazer, talvez...
Muita paz!

Calu disse...

Claudia,
foi reveladora tua colocação sincera__dúvidas existem sim, comprovações ainda são esparsas.Bem disseram os poetas que: a morte não é um fim, voltaremos de outras formas, sendo partes , sendo unos.
Curti demais toda essa blogagem que além de nos sensibilizar, nos aproximou.
Bjos,
Calu

Bel Rech disse...

Sim ficamos seduzidos a fazer tudo na próxima ...Mas quantos morrem e se diz:...se tivéssemos feito, ou se...ou se..."
Então tenho que fazer agora...sempre há um recomeço.Agoro sobre depois eu não sei...são muitos mistérios.
Paz e bem

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida, desejo encontrá-la assim hoje:

Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.
(Matsuo Basho)

Infelizmente não pude comparecer ontem... mas meu coração esteve com VC... Creia, amiga!!!

Gostei demais do dito de Casimiro... Perfeita RESSURREIÇÃO!!! Parabéns,amiga!!!

"O orvalho não se reinventa em metáforas prenhes de ilusão… pois será sempre orvalho"…
BlueShell

Deus te abençoe por ter caminhado por 7 meses conosco...
Seja feliz e abençoada!!!
Um bjm fraterno de paz e o meu carinho de sempre...
Conte comigo também!!!

http://espiritual-idade.blogspot.com/

RUTE disse...

Minha querida Claudia,
jamais os teus textos incomodam alguém porque a tua sinceridade não fere, não é agressiva, é simplesmente transparente e pura.

Concordo que a crença, consola.
É um medicamento sem contra-indicações, quando tomado com consciência.

Não interessa tanto, o que se pode fazer na próxima vida. Tudo o que tenhas de fazer, é aqui e agora. Principalmente amadurecer emocionalmente, vencer medos, ultrapassar bloqueios.

Para compreendermos os porquês de sermos como somos, talvez precisemos recuar no tempo. Primeiramente regressamos à juventude, à adolescência, à infância e com ajuda de pessoas entendidas, "recuamos" a vidas passadas. Viajar ao futuro é infrutifero porque o presente sempre alterará o futuro através do livre arbitrio.

É incrivel como às vezes descobrimos que o medo inexplicável de qualquer coisa, tem raizes num trauma muito antigo.

Curando esse momento traumático dentro de nós, a energia bloqueada volta a fluir e ganhamos nova vitalidade.

As marcas espirituais acompanham-nos por mais tempo que as marcas fisicas. São golpes que continuam sangrando na nossa alma.
Beijinhos.
Rute

✿ chica disse...

Abriste o coração e foste muito bem essa abordagem assim do tema.

Eu levei na brincadeira,srrs beijos,tudo de bom, linda semana! chica

ameixa seca disse...

O problema é exactamente esse: a incerteza do futuro e de como é essa coisa da morte.

Ivani disse...

amei esse pequeno poema de Miguel Torga (não conhecia).
Tão lindo, tão cheio de esperança.
Vou recomenda-lo a um amigo, que adora poemas (se importa?).
Claudia, compartilho com você todas essas dúvidas e todo o ceticismo.
Enquanto lia sua postagem, parecia-me que eu havia escrito.
Não vai acreditar, mas adoro o Clooney rsrsrsrs.
Se ele estiver do outro lado da vida, eu já vou mais feliz.
Meu marido há de estar me esperando também com uma bronca daquelas!
Beijos querida, adorei tudo!

RUTE disse...

Ó Menina Claudia,
conforme viste, estamos a ressoar BCFV...(antes de ressacar, ressoamos).

Dai que lembrei-me de desafiar-te a ressoar também, sem hora, nem data marcada, ressoa quando quiseres, se quiseres, quando sentires a ressonância a vibrar.

Sabes do que me lembrei que seria apropriado ao teu ressoar?
Quadras de poetas conhecidos!
Que tal uma quadra apenas e um poeta apenas, por cada fase?
Topas Ressonâncias Poéticas BCFV?

Que tal? Aliciei-te a alistares-te na marcha da Ressonância?
Beijos à Florbela Espanca.
Rute