quinta-feira, 18 de março de 2010

VERGONHA!


O QUE É ISTO????











fotos do jornal El País e Público

Sinceramente, por motivos estritamente pessoais, nunca pensei vir a tomar partido publicamente contra a situação política cubana. Mas isto ultrapassa todos os limites, estou muito chocada com as imagens que vi na televisão, mulheres que se manifestavam pacificamente pela libertação dos seus familiares, presos por motivos políticos, a serem arrastadas pelo chão, puxadas pelas pernas e pelos braços, totalmente arrastadas como se fossem gado...
aliás, nem gado se trata assim, quanto mais seres humanos.

N
em vou aqui agora tomar posição sobre o que se passa em Cuba há décadas, isso daria pano para mangas, é um assunto demasiado complicado para ser tratado aqui, agora. O que se trata aqui é que esta é a face visível daquilo que muita gente se recusou a acreditar que pudesse acontecer, eu (infelizmente) incluída nesse número...

Segundo
o que ouvi nos noticiários, estas mulheres manifestavam-se pacificamente, quando foram surpreendidas por uma contra-manifestação de apoio ao governo, o que culminou em agressões e na intervenção das forças policiais.

D
eixo aqui alguns excertos da imprensa, porque na verdade sinto-me tão revoltada que nem consigo dizer mais nada sobre este assunto.


«Cerca de 30 Damas de Branco, grupo que reúne mães e mulheres de presos políticos cubanos, foram detidas pela polícia quando efectuavam um desfile no bairro de Párraga, em Havana, e metidas à força em dois autocarros»

As mulheres seguiam por aquela zona da cidade quando foram interceptadas por três centenas de partidários do regime e metidas à força nos autocarros por mulheres-polícias, relatou a AFP.

“Atiraram-nas ao chão, levam-nas arrastadas, dando-lhes golpes. São uns assassinos”, relatou em directo, na Radio Martí, a jornalista independente Noemí Sánchez Infante, que descreveu, por meio de gritos, como é que os defensores do regime castrista estavam a atacar as Damas de Branco.

Elas tinham acabado de sair de uma missa na paróquia de Santa Bárbara, no âmbito de uma semana de manifestações diárias a assinalar o sétimo aniversário da “Primavera Negra”, em que foram feitas 75 detenções. À sua frente estava Reina Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, preso político que morreu no dia 23 de Fevereiro, depois de dois meses e meio em greve da fome.

"Estamos numa manifestação pacífica e não vamos subir para um autocarro do Governo que mantém presos os nossos familiares”, disse Laura Pollán, líder do grupo, pouco antes de ser obrigada a subir para a viatura.


"Temos de as fazer subir à força. É isso que merecem, pois são umas provocadoras”, disse Margarita Rodríguez, dona de casa que participou na contra manifestação castrista.

Damas de Branco que se manifestavam pacificamente em Havana foram ontem detidas.

«Há exactamente sete anos, ocorreu em Cuba a chamada "Primavera negra" - a detenção de 75 opositores políticos, que defendiam por meios pacíficos a transição da ditadura cubana, implantada em 1959, para a democracia. Desses presos, mais de meia centena permanece nos cárceres comunistas. Um deles era Orlando Zapata, o operário de 42 anos que morreu em Fevereiro após três meses em greve de fome.

A mãe de Zapata integrou ontem um desfile das Damas de Branco - mães, filhas, irmãs e mulheres de presos políticos cubanos que periodicamente saem à rua em Havana num silencioso protesto contra a repressão castrista. Ontem acabaram todas por ser detidas, o que indicia um endurecimento do regime, alvo de críticas da Amnistia Internacional (AI), a mais prestigiada organização de defesa dos direitos humanos.

Num comunicado ontem difundido, a AI exige a revogação das leis cubanas que restrigem a liberdade de expressão, reunião e associação, defendendo a libertação imediata de "todos os dissidentes injustamente detidos". »

in DN GLOBO e Público

8 comentários:

Beth/Lilás disse...

É uma vergonha mesmo, né Cláudia!
E o 'governo' do irmão de Fiel só dá continuidade às agressões e à falta de consideração co aquele povo.
E o que ma chateia mais ainda é ver o nosso presidente daqui indo visitar aqeles dois há algumas semanas.
um abraço carioca

ameixa seca disse...

Mais um bocadinho e estas coisas também vão acontecer por cá! É realmente lamentável...

Ana Powell disse...

Bastante triste e lamentável.

Heloísa disse...

Claudia,
É uma situação absurda. Realmente uma das piores coisas do mundo é a falta da liberdade, e é impossível aceitar a existência de governos autoritários.
Beijos.

Noémia disse...

A prepotência, o poder, a impunidade e a injustiça fazem subrir-nos ao peito uma raiva dificilmente controlável.
É o abuso do mais forte sobre o mais fraco que hoje em dia é comum, todos os dias, em todas as sociedades, a nossa incluída e que é promovida como um valor, uma mais valia e chega a ser considerada "normal". Não tarda nada seremos nós as aberrações por ainda nos chocarmos com imagens dessas!:)

M. disse...

É impressionante mesmo, sobretudo a coragem delas em fazerem uma manifestação num regime daqueles!
Nunca mais quinam aqueles dois!

Bjs e bom fim-de-semana!
Madalena

CeliaAlma disse...

Não duvido que o que se passou com as mulheres de Branco seja indigno, ponho desde ja a questão será verdade??? tudo??? Mas mesmo sendo verdade não posso deixar de acrescentar que este regime cubano pode ter sido forçado a tomar medidas de força, afinal são os ultimos resistentes, nao sei de outro país que por pensar diferente tenha sido sujeito ao tratamento de exclusão que este povo cubano foi, se fosse aquim estava tudo morto. Penso eu

Cláudia M. disse...

Célia, eu também tenho tido essa dúvida, se o que passa cá para fora será mesmo assim, ou informação manipulada. Tenho tido muitas dúvidas a esse respeito, por isso nunca me pronunciei sobre o assunto, mas desta vez, vendo aquelas imagens das mulheres - que se manifestavam pacificamente - a serem violentamente arrastadas pela rua daquela maneira, acho que não dá para negar as evidências.
É uma situação muito complicada. Também por ter respeito pelos ideais da revolução cubana sempre pus muita coisa em questão, sempre fui contra os embargos e outras situações, mas há coisas que não posso aceitar. Esta é uma delas, mas certamente haverá outras igualmente graves. Não há sistemas perfeitos.