Ainda não estamos em guerra civil...
Ontem não se verificou em Portugal nenhuma catástrofe natural...
Mas houve prateleiras de supermercado completamente esvaziadas, houve empurrões e até pancadaria...
E "por acaso" ontem era Dia do Trabalhador, os supermercados e hipermercados deviam estar encerrados...
MAS...
Aconselho em particular a reportagem TVI, aos 5m49s
«A ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) vai averiguar se os supermercados Pingo Doce cometeram alguma ilegalidade. Em causa está um desconto de 50% nas compras superiores a 100 euros. Já o sindicato do comércio admite apresentar queixa à Autoridade da Concorrência.
Fonte da ASAE disse, à agência Lusa, que nesta altura já está a recolher documentação para determinar se existiram, ou não, infrações na campanha lançada na terça-feira pela Jerónimo Martins nos seus supermercados.
Isto porque ontem os comerciantes acusaram o Pingo Doce de vender produtos abaixo do preço de custo. A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) promete atuar caso haja algum indício de praticas ilícitas.
O Bloco de Esquerda já pediu a intervenção com «celeridade» da autoridade da concorrência. O bloco entende que o grupo do Pingo Doce teve uma «atitude provocatória contra os direitos dos trabalhadores».
Também o PCP denuncia que as cadeias de super e hipermercados violaram os acordos coletivos de trabalho do setor ao «obrigarem» os funcionários a trabalhar no 1º de maio e querem ouvir o ministro da Economia e do Emprego sobre o caso Pingo Doce, onde se suspeita da prática de dumping.
Já a CGTP desafiou o Governo a enfrentar Soares dos Santos.
A promoção de ontem causou o caos, com dezenas de milhares de pessoas a tentar aproveitar a promoção.
Os parques de estacionamento encheram logo antes da abertura das portas. Em algumas lojas, a polícia teve mesmo de intervir por causa de desacatos entre clientes.
A afluência foi tal que algumas lojas tiveram de fechar para repor as prateleiras e voltar a abrir para atender os clientes que se juntavam à entrada.
Os stocks esgotaram e o número massiço de aderentes aliado ao desespero por conseguir comprar levou a alguns desacatos que obrigaram à intervenção da polícia. »
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Este assunto provoca-me duas reacções: uma é dizer apenas: QUE VERGONHA!
A outra é dizer e/ou perguntar várias coisas. E tenho que dizer, não me consigo calar. Ficam aqui apenas algumas questões que me coloco, falando com os meus botões...
1. É a primeira vez, desde o 25 de Abril de 1974, que os "patrões" dos super e hipermercados se atrevem a forçar os seus funcionários a trabalhar no 1º de Maio. E porquê? Porque têm as costas muito bem protegidas pelo governo.
2. Se o Pingo Doce ontem vendeu todos os produtos a metade do preço, porque não pratica esses preços no dia-a-dia? Se ontem teve lucros, porque não adopta esses preços sempre?
3. Onde terão ido parar os "heróis do mar, nação valente e imortal"? Quase não sobraram vestígios desse "nobre povo".
4. O que se veria em Portugal, numa situação de catástrofe? Se ontem foi o que se viu, pessoas a esmagarem-se e à pancada para fazer compras com 50% de desconto, o que seria em caso de um terramoto, ou coisa que o valha? DEUS NOS LIVRE!!
5. Será impressão minha, ou a esta hora grande parte daqueles produtos comprados com tamanha sofreguidão já estarão em caixotes do lixo? Produtos congelados, iogurtes e outros que tais, terão resistido a CINCO ou SEIS horas na fila do supermercado??
6. Eu estou pasma até agora, com a brutalidade de toda aquela situação. E o pior é que não me parece, de todo, que a crise seja uma justificação para o que aconteceu. Não me parece, de maneira nenhuma, pelas imagens que passaram nas televisões, que grande parte daquela gente esteja a passar necessidades. Aquilo foi sofreguidão pura e dura, foi gosmice, avidez, açambarcamento, foi querer apanhar este mundo e o outro, eu sei lá o que aquilo foi, foi uma total falta de civismo, só justificável em situações de hecatombe.
E muitas coisas haveria ainda a dizer, mas enfim, cada um que tire as suas conclusões. Só me resta repetir o que se ouve por aí: AO QUE ISTO CHEGOU!






