segunda-feira, 16 de maio de 2011

BCFV- Adolescência


 Continuando o percurso pelas fases da vida, chegou a vez da Adolescência.

Quando penso na minha adolescência, a relação é imediata com o Liceu Gil Vicente 

- que mais tarde passou a chamar-se  Escola Secundária de Gil Vicente, mas que muitas vezes era, e é, carinhosamente chamada apenas de GIL, e é habitual ouvir antigos alunos a dizerem com orgulho:
"eu andei na Gil!" :)


É óbvio que foi uma escola que me marcou, afinal passei lá sete anos da minha vida! E sinceramente considero que foi um tempo muito bom, recordo essa época com saudade e com a sensação boa de ter sido uma época feliz da minha vida. As borboletas no estômago, a emoção da adolescência, aquela euforia às vezes sem motivo, enfim, a sensação que recordo desse tempo é boa, recordo uns tempos de descontracção, mas ao mesmo tempo daquele frenesim que não nos deixava sossegar, aquela inquietação, mas uma inquietação boa; é isso que eu recordo, e quantas vezes a escola (=lugar de estudo) ficava para trás, porque a outra escola (=lugar de recreio) tinha um peso muito grande... :)

Além do Gil Vicente, um outro local que marcou a minha adolescência foi o Miradouro de Santa Luzia


 Tantas tardes lá passadas, mas tantas, principalmente com a minha amiga Guida, deixaram-me lembranças muito boas! Aliás, nessa época a minha vida desenrolava-se numa espécie de triângulo (Anjos (onde morava) - Graça/Escola - Miradouro de Santa Luzia). O miradouro era muito perto da casa dessa amiga que referi, o que me faz lembrar ainda da Rua de Santiago, do AR.CO, do Castelo de São Jorge...


 - uma parte muito bonita da cidade por onde eu andei MUITO durante esses anos.

Outra recordação boa que tenho da adolescência é a de uma certa emancipação, os acampamentos com a minha prima Fernanda (a minha mãe deixou-me ir porque ela era uns anos mais velha do que eu, era suposto tomar conta de mim...)  :)
Foi ela que me tirou esta foto em Viseu: 
Com 17 anos, em Viseu



 Por esta altura (acho que foi a única, felizmente) houve um certo "afastamento" em relação à minha irmã, afinal de contas ela era apenas uma "pirralha" e eu já era grande...... :))


 Tão grande que já fui para o Algarve sem os meus pais (embora com uma amiga e com os pais dela!), e foi lá que comemorei a minha chegada à maioridade.  :)

8 de Agosto 1984 - 18 anos!

E assim, em forma resumida - porque se fosse dizer tudo o que me apetece ficava aqui um post gigantesco - aqui ficam alguns marcos da minha adolescência. Para fazer justiça, preciso ainda de falar na minha outra amiga, a Ana, de quem já tenho falado noutras alturas, e que também me acompanhou  nesta fase, até porque sempre fomos vizinhas, até uma certa altura éramos da mesma turma, mas entre os 15 e os 18, era com a Guida que estava mais tempo. Com a Guida e não só, também com o irmão dela e mais um grupinho de amigos. 

Ah, então e as paixonites agudas? hehe

Aquela que ainda hoje (e agora mesmo) me faz sorrir é (foi) uma paixão assolapada por um madeirense, louro como o mais louro dos nórdicos (ai tão lindooooooooooooo...), que andava quase sempre vestido de verde, e que eu achava um deslumbramento... eheheh

Bem, é melhor ficar por aqui. 

Ai, a adolescência... :)


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Memórias da Infância - BCFV

HÁ UM MÊS ATRÁS, com muita pena minha, e por andar numa fase de MUITO trabalho, não tive oportunidade de participar na primeira publicação da Blogagem Colectiva Fases da Vida 
 organizada pelas meninas
Rute
Orvalho do Céu  
Gina

A primeira etapa foi o Nascimento, e naturalmente a segunda é a Infância.  
Normalmente associa-se a infância à alegria, à "vontade de rir, pular, brincar", como lembrou a Rute no texto que escreveu com algumas sugestões para abordar esta fase. É verdade, infância deve ser sinónimo de alegria, e ainda bem que é assim. Ao recordar a infância, lamento que a minha memória não seja mais "eficaz", porque não tenho lembranças de mim muito pequena. A minha lembrança mais antiga situa-se já nos 7 anos, quando andava na 2ª classe. Lembro-me perfeitamente do meu professor, que foi o mesmo na 2ª, terceira e 4ª classes,  mas não tenho a mais pequena ideia da professora da primeira classe. Será estranho? Não sei, talvez. Às vezes oiço pessoas contarem histórias de que supostamente se lembram, com 3, 4 anos... eu fico sempre espantada com isso, que raio de memória a minha. :)

 Felizmente existem as fotografias, e tenho muitas de bebé e criança pequena, mas não me recordo de nenhuma situação, nem sequer do primeiro dia de aulas, de que tanta gente fala... apagão total! 
Imagino-me em algumas histórias que a minha mãe conta, mas propriamente lembrar-me, isso não.

 Ao reler o texto que a Rute escreveu a apresentar o tema «Infância», fiquei com um bocadinho de medo de mexer num certo armário, medo que lá bem escondidinho atrás dos casacos e vestidos, pudesse espreitar algum  fantasma... mas decidi seguir o seu conselho, e colocar as sensações em primeiro plano!



Por exemplo, esta foto, da qual eu gosto muito, por outro lado assusta-me, porque vejo nela medo e insegurança, é uma foto que me seduz e por outro lado me perturba um pouco, não gosto de me rever naqueles olhos assustados, naquele meio-sorriso... e no entanto às vezes essa menina assustada reaparece, e continua com medo. Porquê?


Por muito que tente, não consigo dissociar a minha infância da imagem de uma pessoa que esteve sempre presente, a par dos meus pais e do "avô" João. Era a minha madrinha (e logo madrinha, uma figura que deve ser protectora), uma mulherzinha azeda e má, que infernizou a vida da minha mãe, e por consequência a minha. Esta criatura era patroa da minha mãe, e todas as memórias que tenho dela são de uma pessoa cruel, fria e desumana. As minhas memórias, junto com as histórias que a minha mãe não se cansa de contar, fazem com que essa pessoa se tenha tornado uma verdadeira assombração. A minha mãe, infelizmente, nunca se conseguiu libertar do ódio por essa senhora, o que só lhe faz mal (muito mal), tanto física como psicologicamente. Eu já lhe perdoei (acho eu, pelo menos tentei...) mas, como diz o ditado, "forgive but not forget". Já o "avô" João, o marido dela, era maravilhoso, um senhor muito querido, que até ficava contente quando eu brincava com ele, "penteando-lhe" a careca. A minha mãe ralhava comigo, e ele dizia "deixa lá a menina". Tadinho do avô João, mereceu o Céu só por aturar aquele megera. Ela, pelo contrário, aproveitava cada pretexto para atormentar todos ao seu redor, e algumas vezes eu "apanhei" por ela atazanar a cabeça à minha mãe, pondo-lhe os nervos em franja, até ao limite. 



Mas agora chega, já estou a ficar mal-disposta de pensar nisso, que tal passar para a parte boa da minha infância? :)

Recordo muitas coisas boas, como a minha forte amizade com a Fatinha, que é a menina mais alta na foto do lado direito (tão fofinhas, de mãos dadas...). Éramos vizinhas e brincámos muito, durante pelo menos uns 5 ou 6 anos. Infelizmente hoje em dia não temos contacto, mas ainda não perdi a esperança de o retomar.



Recordo com um sorriso as brincadeiras nas escadas na Capela, com a Fatinha e a Ana (minha amiga até hoje), quando ainda se podia brincar "na rua" em segurança (embora com a supervisão dos pais da Fatinha, que tinham um "lugar" de fruta quase ao lado da Capela, e da minha mãe, pois morávamos em frente).
Aqui eu e a Ana (amigas há quase 40 anos, credo!!!), no Carnaval. Que figurinha!:)


Depois veio a minha irmã, que foi sem dúvida a GRANDE alegria da minha infância. Com ela tudo ganhou um novo sentido, foi (e é) um amor muito grande, veio trazer uma luz que a minha infância não tinha, aquela "coisinha linda" foi um grande motivo de felicidade!
No dia do baptizado da minha irmã, tinha eu 8 anos.

E quando é que acaba a infância? Naquele tempo ainda não se falava em pré-adolescência, mas aqui já era uma fase de transição. Já estava a ficar grandinha, andava no ciclo preparatório, em breve iria para o Liceu.
Com 11 anos. Adoro a camisola! :))

Adeus, infância, olá adolescência.