São realmente espantosas as diferenças entre os povos!
Acabei de ver no noticiário as útimas notícias sobre a terrível tragédia com o avião da Air France, que dão conta do avistamento de destroços e manchas de óleo a cerca de 700km de Fernando Noronha.
Já por volta das 13 horas tinha visto as notícias, e já achei curioso que, na reportagem que passou em directo do aeroporto de onde saiu o avião, a jornalista dava conta de uma certa surpresa dos brasileiros por o presidente Sarkozy já assumir tratar-se de uma tragédia, quando ainda nada estava esclarecido.
Mas agora, mesmo depois de ter passado todo este tempo, depois de já haver provas de que o avião se despenhou, a mesma jornalista deu conta dos sentimentos de muitos brasileiros, inclusive familiares e amigos dos passageiros do avião, que continuam optimistas, ainda com esperança que haja sobreviventes.
Realmente é notável o optimismo do povo brasileiro! Eu sei que sou suspeita, porque nós, os portugueses, somos precisamente conhecidos pelo nosso pessimismo, a nossa angústia, aliás tão bem expressa nesse género de música que é o fado (sendo que fado também é sinónimo de destino...). E se calhar é como portuguesa que agora falo, mas sinceramente acho incrível que, passado todo este tempo, ainda haja pessoas que acreditem que haja sobreviventes. Claro que isso seria maravilhoso, mas eu diria que é, no mínimo, bastante improvável, acreditando mesmo, lá no fundo, que isso é impossível.
Claro que os franceses, também tão diferentes dos brasileiros, já há muito que deram o caso como tendo tido um desfecho fatal. Também compreendo que as famílias das vítimas se queiram agarrar a uma esperança até terem certezas, ainda por cima num caso destes, que continua envolto no mais profundo mistério.
Eu compreendo tudo isso, e aliás posso acrescentar que neste momento estou angustiadíssima, só de imaginar o que terá na verdade acontecido, se as pessoas sofreram muito, etc. Como alguns de vocês sabem, eu tenho pavor de andar de avião, e quando acontecem coisas destas, penso logo que não vou conseguir mesmo entrar nunca mais num bicho voador.
Sem querer entrar em brincadeiras, até porque o caso não é para isso, mas na mesma reportagem disseram que cerca de 1/3 da população tem medo de voar, o que me fez sentir melhor, por não ser caso isolado. Mas acabei por me lembrar da figura que fiz na única viagem de avião que fiz (Lisboa-Madrid - 1 hora), em que a minha irmã passou um martírio porque eu fui quase o tempo todo de olhos fechados, a perguntar "o que é que se passa?", "o que é que está a acontecer?", de cada vez que sentia uma "leve" trepidação. Mas parece que isso é natural nos casos de medo de voar, porque os elevados níveis de ansiedade levam a que a pessoa julgue perigosas situações que são normais num voo.
Mas eu, apesar do pânico que sinto só de pensar em entrar num avião, até andava entusiasmada por viagens, porque há umas semanas que voltei a ter acesso ao canal "Travel", e tenho visto reportagens tão encantadoras, que até já tinha dito que queria ir ao Peru (vi uma reportagem que me deixou apaixonada pela cidade de Lima). Imaginem, devem ser umas 10 horas lá em cima...
Bem, mas voltando ao que me levou a vir aqui escrever, o que mais me surpreendeu foi a diferença entre uma Europa perfeitamente convicta de que se trata de uma tragédia sem nenhuma hipótese de algum desfecho positivo, e um Brasil (não digo todo, nunca se pode generalizar) que ainda acredita que possa haver um final feliz para algum dos passageiros do A 330.
Tanto que nos une e tanto que nos separa.