quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal


Pátria

Soube a definição na minha infância.
Mas o tempo apagou
As linhas que no mapa da memória
A mestra palmatória

Desenhou.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.


Miguel Torga


ADENDA (já no dia 11...)
Ia responder nos comentários, mas resolvi responder aqui a todos, fazendo uma pequena reflexão, para a qual não tive tempo ontem.
Concordo plenamente com a Cláudia, que o maior feito dos portugueses foi a expansão da língua por tantos cantos do mundo. Isto, sendo nós uma "nesga de terra", que não me parece nada que no poema seja pejorativo. Em termos de território, e se olharmos para o mapa do mundo, o que somos ´nós mais do que uma nesga?? Mas isso só vem valorizar ainda mais tudo o que os portugueses fizeram ao longo dos séculos. É claro que tb fizeram muita asneira, mas qual o povo que não fez e continua a fazer? É só olhar para os conflitos internacionais, alguns dos quais parecem de impossível resolução...

Mas os portugueses fizeram uma obra notável, e basta ver os monumentos maravilhosos que deixaram espalhados por todo o lado por onde andaram, e isso foi muitos lugares, mesmo!!
Adorei ver alguns desses monumentos serem oficialmente reconhecidos como as 7 maravilhas construídas pelo povo português, apesar de estas votações serem um pouco difíceis, porque ficam sempre "para trás" algumas obras maravilhosas.

É certo que o momento presente deixa muito a desejar, mas isso dava uma tese....
O que acho é que temos que deixar de ficar à espera que os políticos façam tudo, porque eles na verdade fazem muito pouco... e mal, muitas vezes.
Acho que a mudança tem que ser feita por cada um de nós, em cada dia da nossa vida. Isto é mais fácil de dizer do que de fazer, mas há que agir, disso não há dúvida.




terça-feira, 9 de junho de 2009

Gratinado de batata-doce e atum

Lembram-se do filme "Rain Man", que aqui em Portugal foi traduzido como "Encontro de Irmãos", com o Dustin Hoffman e o Tom Cruise? Só se devem lembrar as cotas, porque o filme já deve ter mais de 20 anos... :)

Eu adoro esse filme, já o vi várias vezes. Não sei se se lembram que a personagem desempenhada por Dustin Hoffman era um autista, cujo nome não me lembro.

Ele adorava conduzir (o pai deixava-o conduzir o Buick aos sábados, devagarinho...), e estava verdadeiramente convencido de que era um excelente condutor! Passava a vida a dizer qualquer coisa como: "I'm an excellent driver. Of course I'm an excellent driver", e repetia essa frase incessantemente, muitas vezes totalmente fora do contexto.

Eu gostei tanto do filme, e interiorizei-o de tal modo que, ao longo dos anos, tenho adaptado essa frase a diversas circunstâncias. Primeiro foi mesmo quando comecei a conduzir... e por aí fora...

...nos últimos anos, comecei a adaptá-la à culinária, e quando faço um prato que me sai mesmo bem :), de vez em quando ligo à minha irmã a dizer-lhe "Sou uma excelente cozinheira! Claro que sou uma excelente cozinheira!"

Claro que isto é uma brincadeira, sou apenas uma pessoa que gosta de fazer experiências na cozinha, e naturalmente fico contente quando elas saem bem.

Pois bem, hoje fiz mais uma dessas experiências, e gostei imenso do resultado. "Of course I'm an excellent cook" :) :)



ingredientes:
1 batata-doce grande
2 latas de atum (260 g)
1 pacote de natas
1 colher (café) de gengibre em pó
100 g queijo ralado
3 colheres (sopa) de molho béchamel
algumas folhinhas de alecrim
sal


Liga-se o forno a 200º.
Descasca-se a batata-doce e corta-se às rodelas. Tempera-se com um pouco de sal.
Coloca-se na travessa uma camada de rodelas de batata, uma camada de atum, e outra camada de rodelas de batata.
Rega-se com as natas (ou leite, se preferir), polvilha-se com o gengibre (cheira tão bem...) e por cima coloca-se o queijo ralado. Acrescentei ainda umas folhinhas de alecrim.


Antes e depois...

A meio da cozedura, e como o queijo estava a ficar demasiado moreno muito rapidamente, cobri-o com o molho béchamel. É que eu, como adoro queijo, exagerei um bocado... o queijo deve ficar quase totalmente envolvido nas natas ou no leite, para não começar logo a tostar.


Mas, excepto esse percalço, correu muito bem. Ficou uma delícia. Podem experimentar à confiança. Afinal, "eu sou uma excelente cozinheira..."

:):):):):)

Acho que nunca tinha utilizado batata doce neste tipo de prato, e esse foi um dos aspectos que me surpreendeu: fica ainda melhor do que com batata "normal". Quem diria?


(em tempo: a net é mesmo muito útil: já depois de ter acabado o texto, fui pesquisar, e o nome da personagem é Raymond Babbitt; não tinha esse nome nada presente na minha memória, ao contrário de cenas do filme, que recordo perfeitamente)

sábado, 6 de junho de 2009

Kalulu luso-angolano

Este prato, que quero partilhar com todos os que passem por aqui, é especialmente dedicado à amiga Ameixa, que está há que tempos à espera de uma certa receita. Olha, linda, esta não é bem a que tu pediste, porque não leva mandioca (só em farinha), mas se tiveres paciência para ler até ao fim, vais ver que nem se fazia a festa se não houvesse um pau...



Ingredientes

3 colheres (sopa) óleo de palma
3 colheres (sopa) polpa de denden
1 cebola média
10 quiabos (ou a gosto)
1 courgette (ou uma beringela)
100 g espinafres (ou rama de batata-doce)
1 tomate maduro ou polpa de tomate
1 corvina

Para o funge:
água (cerca de meio litro)
fuba de mandioca (150/180g)


Partem-se os quiabos como na foto e deixam-se de molho cerca de 15m, para perderem a "baba". Se gostar desta, esteja à vontade...


Os espinafres e a courgette. Esta parte-se em meias luas.


A polpa de denden, que também se usa na moamba, como se pode ver na lata.

A polpa e a gordura ou óleo de palma.

Faz-se um refogado com o óleo de palma e a polpa, e uma cebola média picada. Junta-se o tomate, a courgette e um pouco de água quente.

Acrescentam-se os espinafres. (Se estiver em Angola, acrescente rama de batata-doce) :)


Acrescenta-se o peixe, e deixa-se cozer.

Enquanto isso, bebe-se um martini...

Juntam-se os quiabos, que não se devem colocar muito cedo, para não se desfazerem.

E pronto, agora é só sentar-se e saborear.

É muito bom. Se gosta de comida com um toque exótico, não deixe de experimentar.


NOTA: Eu não sei fazer o funge. Nasci em Portugal, nunca estive em Angola, e só há uns 10 anos é que soube que existia tal "petisco". E como não morro de amores pelo dito (a não ser camuflado com o molho), nunca me deu para tentar fazer. Além disso, acho que é preciso ter nascido lá, ter vivido lá, tê-lo visto ser feito lá, para "apanhar o espírito da coisa". Além de que é preciso muita força de braço!!
Então, quem o fez foi o angolano, que é o especialista... sei que pôs a água ao lume (a olhómetro, foi um problema para eu tentar decifrar a quantidade...), juntou farinha, igualmente a olhómetro (raios e coriscos!) e depois, quando se viu aflito, chamou-me para eu ir acrescentando farinha aos poucos, enquanto ele suava as estopinhas a mexer aquilo, porque não tem o instrumento adequado....... ahahahahah

quero eu dizer aquele pau que as/os angolanas/os usam lá em Angola para fazer o funge como deve ser.

NOTA 2: a Carolina comeu com puré de batata...

NOTA 3: eu, como boa portuguesa, não resisti a molhar pãozinho no molho!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Coisinha mais fofa...



Sabem quando as crianças têm um brinquedo novo*? Pois é... é como eu me sinto.

*estou a falar das colagens, não da minha filha... :)


quarta-feira, 3 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sem título

São realmente espantosas as diferenças entre os povos!

Acabei de ver no noticiário as útimas notícias sobre a terrível tragédia com o avião da Air France, que dão conta do avistamento de destroços e manchas de óleo a cerca de 700km de Fernando Noronha.

Já por volta das 13 horas tinha visto as notícias, e já achei curioso que, na reportagem que passou em directo do aeroporto de onde saiu o avião, a jornalista dava conta de uma certa surpresa dos brasileiros por o presidente Sarkozy já assumir tratar-se de uma tragédia, quando ainda nada estava esclarecido.

Mas agora, mesmo depois de ter passado todo este tempo, depois de já haver provas de que o avião se despenhou, a mesma jornalista deu conta dos sentimentos de muitos brasileiros, inclusive familiares e amigos dos passageiros do avião, que continuam optimistas, ainda com esperança que haja sobreviventes.

Realmente é notável o optimismo do povo brasileiro! Eu sei que sou suspeita, porque nós, os portugueses, somos precisamente conhecidos pelo nosso pessimismo, a nossa angústia, aliás tão bem expressa nesse género de música que é o fado (sendo que fado também é sinónimo de destino...). E se calhar é como portuguesa que agora falo, mas sinceramente acho incrível que, passado todo este tempo, ainda haja pessoas que acreditem que haja sobreviventes. Claro que isso seria maravilhoso, mas eu diria que é, no mínimo, bastante improvável, acreditando mesmo, lá no fundo, que isso é impossível.

Claro que os franceses, também tão diferentes dos brasileiros, já há muito que deram o caso como tendo tido um desfecho fatal. Também compreendo que as famílias das vítimas se queiram agarrar a uma esperança até terem certezas, ainda por cima num caso destes, que continua envolto no mais profundo mistério.

Eu compreendo tudo isso, e aliás posso acrescentar que neste momento estou angustiadíssima, só de imaginar o que terá na verdade acontecido, se as pessoas sofreram muito, etc. Como alguns de vocês sabem, eu tenho pavor de andar de avião, e quando acontecem coisas destas, penso logo que não vou conseguir mesmo entrar nunca mais num bicho voador.

Sem querer entrar em brincadeiras, até porque o caso não é para isso, mas na mesma reportagem disseram que cerca de 1/3 da população tem medo de voar, o que me fez sentir melhor, por não ser caso isolado. Mas acabei por me lembrar da figura que fiz na única viagem de avião que fiz (Lisboa-Madrid - 1 hora), em que a minha irmã passou um martírio porque eu fui quase o tempo todo de olhos fechados, a perguntar "o que é que se passa?", "o que é que está a acontecer?", de cada vez que sentia uma "leve" trepidação. Mas parece que isso é natural nos casos de medo de voar, porque os elevados níveis de ansiedade levam a que a pessoa julgue perigosas situações que são normais num voo.

Mas eu, apesar do pânico que sinto só de pensar em entrar num avião, até andava entusiasmada por viagens, porque há umas semanas que voltei a ter acesso ao canal "Travel", e tenho visto reportagens tão encantadoras, que até já tinha dito que queria ir ao Peru (vi uma reportagem que me deixou apaixonada pela cidade de Lima). Imaginem, devem ser umas 10 horas lá em cima...

Bem, mas voltando ao que me levou a vir aqui escrever, o que mais me surpreendeu foi a diferença entre uma Europa perfeitamente convicta de que se trata de uma tragédia sem nenhuma hipótese de algum desfecho positivo, e um Brasil (não digo todo, nunca se pode generalizar) que ainda acredita que possa haver um final feliz para algum dos passageiros do A 330.

Tanto que nos une e tanto que nos separa.